A precariedade menstrual é um problema sociocultural de saúde pública e coletiva que atinge meninas, mulheres e pessoas que menstruam em todo o mundo.
Desde 2014, e reafirmado em 2024, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas considera o acesso à saúde menstrual um componente essencial do direito à saúde e à igualdade de gênero. A saúde menstrual é fundamental para melhorar a saúde da população global, alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e concretizar a igualdade de gênero e os direitos humanos.
Ainda que a última década tenha mostrado uma crescente conscientização sobre a temática seja pelos movimentos feministas, pelos (ciber)ativismos menstruais, seja pela ressignificação das desinformações, do tabu menstrual através da educação menstrual, ainda é preciso investir em políticas públicas que consideram a saúde menstrual de maneira multidimensional. Por isso, é importante que os saberes-poderes sobre a menstruação sejam politizados e pensados em uma perspectiva multidimensional e interseccional, pois abordagens biofisiológicas e tecnocratas podem complicar os esforços de advocacy levando ao desenvolvimento de ações e políticas públicas fragmentadas e setorizadas.
Em Políticas Públicas sobre a Saúde Menstrual no Brasil: Olhares pelas Lentes dos Movimentos Sociais da Menstruação, Isabel Cristina de Almeida Prado (2024) realizou um levantamento das políticas públicas para a saúde das mulheres, dos projetos de lei sobre a dignidade menstrual e da atuação de movimentos sociais no Brasil, e observou que as políticas públicas sobre saúde menstrual podem ser beneficiadas ao se incorporarem às reivindicações dos movimentos sociais. Esse dado é muito caro a nós pesquisadoras que estudamos os discursos sobre a precariedade menstrual, principalmente em países da América Latina, já que muitas metodologias, epistemologias surgem da práxis política, das atividades desenvolvidas em laboratórios sociais, dos ativismos menstruais, além das atividades de projetos de extensão sobre a temática, como por exemplo o projeto MEInstruAção, sediado na Universidade de Brasília.
A dignidade menstrual tem sido um assunto amplamente discutido pelo mundo, especialmente em continentes com altos índices de vulnerabilidades sociais, e que, em função disso, têm desenvolvido e implementado políticas públicas de distribuição gratuita de tecnologias menstruais, redução e isenção de tarifas, licença menstrual, além de ativismos menstruais.
O projeto MEinstruAção é uma dessas iniciativas que tem o objetivo não só de promover a dignidade menstrual, mas também atenuar, principalmente, as desigualdades de gênero, classe e raça quanto ao acesso e permanência de pessoas que menstruam - meninas e pessoas transmasculinas - em escolas de ensino médio, no contexto brasileiro. Foi criado em 2023 em atendimento ao Programa Meninas e Mulheres na Ciência do Decanato de Extensão da Universidade de Brasília (UnB) e é incubado no INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências, sediado na UnB.
Nossa missão é nos tornarmos um instrumento de referência nacional e internacional em dados, pesquisa, análise e intercâmbio entre as principais instituições atuantes na temática sobre a dignidade menstrual e, em extensão, a educação menstrual emancipatória. Com o Observatório Dignidade Menstrual, incubado no INCT Caleidoscópio, nós produzimos, divulgamos e circulamos pesquisas, ideias e análises com objetivo de popularizar o debate sobre as maneiras de ressignificar a tecnologia do tabu menstrual que contribui para a manutenção das condições precárias de saúde menstrual, em prol de uma vida com justiça menstrual. Reunimos e sistematizamos dados sobre as políticas e iniciativas exitosas ao redor do mundo sobre a dignidade menstrual, também analisamos e produzimos textos científicos a partir de dados oficiais e públicos, e por fim elaboramos e coordenamos projetos de pesquisa, de extensão e de ensino sobre os discursos - saberes-poderes-ser - produzidos acerca da menstruação no contexto da América Latina e Caribe. Também produzimos tecnologias sociais.

O MEinstruAção colabora com os objetivos e metas do Programa Dignidade Menstrual: respeite o ciclo, do Governo Brasileiro, principalmente com a circulação de informações seguras e adequadas sobre a saúde menstrual e a ressignificação da tecnologia do tabu menstrual.
O projeto desenvolve eventos de letramento crítico, de modo multidisciplinar, integrando saberes emancipatórios, decoloniais e interseccionais sobre a dignidade menstrual, em interface com meio ambiente e ciências. O objetivo principal é questionar a tecnologia do tabu menstrual, além de problematizar informações científicas com viés moderno-colonial, incorreções e desinformações de forma a ressignificar, principalmente, narrativas cisheteronormativas.
São três os eixos que fundamentam o MEInstruAção:
(I) ressignificação da menstruação, desmistificando o tabu menstrual;
(ii) problematização da precariedade menstrual em perspectiva interseccional;
(iii) relação entre tecnologias menstruais (conceito, tipo, finalidade, precificação e descarte) e a sustentabilidade ambiental.
Aplicamos em nossas ações a metodologia da Educação Menstrual Emancipatória (Ramírez, 2025), com o propósito de ressignificar a maneira como a menstruação é ainda percebida e explicada na sociedade: como algo vergonhoso, invisível, silencioso.
Realizamos eventos de letramento crítico através de ações-transformacionais, por meio de experiências vivenciadas e incorporadas por estudantes - meninos, meninas, cis e trangênero, levando-os/as a se questionarem, se informarem e a se dignificarem, e também aos outros.

Organizamos um material que apresenta os resultados alcançados pelo projeto MEInstruAção - Enredando o Caleidoscópio no debate sobre as relações entre discurso, pobreza menstrual, meio ambiente e ciência em escolas de ensino médio no Brasil apoiado não só pelas agências de fomento CNPq (Edital Universal 2023-2026), FAP DF (Demanda Espontânea 2023-2026) mas também pelo Decanato de Extensão da Universidade de Brasília através dos editais de dois importantes programas: Rede Polos de Extensão (2025-) e Mulheres e Meninas na Ciência (2023; 2025-).
Com a produção deste documento, contribuímos para a promoção da dignidade menstrual, fornecendo informações adequadas e seguras sobre a saúde menstrual, precariedade menstrual em perspectiva emancipatória, decolonial e interseccional. Nos últimos 4 anos, através das ações desenvolvidas em escolas de ensino médio, intervenções dialogadas em feiras científicas, mentorias, participação em eventos sobre a temática, formação em educação menstrual emancipatória, produzimos conhecimentos situados e também no contexto acadêmico-científico. Apresentamos, neste material, os conceitos e premissas da Educação Menstrual Emancipatória, com exemplos, relatos, jogos e proposições didáticas. Além de sugestão de leituras audiovisuais e a divulgação do Glossário Dignidade Menstrual produzido pela equipe do MEInstruAção.
O material serve de instrumento de orientação para as pessoas que se interessam pela temática, e também à comunidade escolar que sofre diretamente os impactos de uma saúde menstrual precária e indigna, que impossibilita meninas, mulheres e pessoas que menstruam tenham bons desempenhos e uma excelente produtividade escolar.
Clique aqui e acesse a Revista MEInstruAção na íntegra!
Observatório MEInstruAção
Coordenação:
Maria Carmen Aires Gomes (CEAM/UnB/CNPq/FAPDF).
E-mail: maria.carmen@unb.br.
🌈🩸 Educação Menstrual Decolonial
📚🩸 Letramento em Educação Menstrual
📧🩸 projetomeinstruacao@gmail.com

Observatório MEInstruAção
Coordenação:
Maria Carmen Aires Gomes (CEAM/UnB/CNPq/FAPDF).
E-mail: maria.carmen@unb.br.
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