Observatório MEInstruAção

Educação Menstrual Decolonial e Letramento em Saúde Menstrual

 Sobre o Projeto MEInstruAção 

O projeto MEInstruAção é uma iniciativa que promove a dignidade menstrual ao atenuar as desigualdades de gênero, classe e raça quanto ao acesso e permanência de pessoas que menstruam em escolas de ensino médio, no contexto brasileiro.

Criado em 2023 em atendimento ao Programa Meninas e Mulheres na Ciência do Decanato de Extensão da Universidade de Brasília (UnB), o projeto é incubado no INCT Caleidoscópio.

O Observatório Dignidade Menstrual é uma iniciativa que nasce das nossas ações!

Clique no botão abaixo e conheça mais sobre nós!

  Regiões de abrangência e atuação  

  Termômetro do MEInstruAção  

Escolas públicas e privadas participantes do projeto

Estudantes atendidas/os pelas ações do projeto

Pessoas atendidas pelo projeto em eventos e feiras

Pesquisadoras envolvidas com o projeto

Instituiões de Ensino Superior (IES) participantes do projeto

Glossário MEInstruAção 

O Glossário dignidade menstrual reúne termos relacionados à saúde, educação e ativismo menstrual. Os termos reunidos buscam levar as/os leitoras/es a refletirem sobre a menstruação não apenas como uma questão fisiológica, biomédica, do âmbito das mulheres cis, mas também como um fenômeno social, coletivo, que atravessa, inclusive, dimensões identitárias, econômicas, estruturais, patriarcais, culturais e políticas.

Seu objetivo é contribuir para a transformação e a ressignificação das narrativas menstruais moderno-coloniais, promovendo o acesso a informações qualificadas, contextualizadas e socialmente comprometidas e engajadas.

De caráter informatizado e gratuito, o glossário é destinado ao público em geral, mas especialmente professores, estudantes do ensino médio, constituindo-se como um instrumento pedagógico- educativo, político o que fortalece práticas de ensino-aprendizagem críticas, inclusivas e emancipadoras no campo da educação menstrual.

  QUIZ: Fato ou Fake sobre a menstruação  

Ao redor do ciclo menstrual existem muitas informações reais, mas também há muitos mitos e crenças que herdamos ao longo do tempo. Assim, nas afirmações a seguir, desafiamos você a separar o que é ciência daquilo que é apenas tabu.

Chegou a hora de colocar em prática o que sabemos e conhecer mais sobre a mestruação!

Leia cada frase com atenção e pense se ela é Fato ou Fake. Depois de responder, você pode clicar no ciruclo no canto direto para acessar o gabarito comentado.

Acesse a versão impressa do jogo com gabarito comentado aqui!

O ciclo menstrual pode variar de pessoa para pessoa.

Sim, é verdade. O ciclo menstrual varia significativamente de pessoa para pessoa e também pode mudar na mesma pessoa, ao longo da vida. Embora o ciclo possa durar 28 dias, a maioria das pessoas apresenta durações diferentes, e isso é considerado normal desde que haja uma consistência.

A menstruação deve ocorrer apenas uma vez ao mês.

Não necessariamente. Embora essa seja a situação mais comum, ciclar uma vez ao mês. Um ciclo pode durar em média 28 dias, mas variações entre 21 e 35 dias são consideradas perfeitamente normais. Se você tem um ciclo mais curto (de 21 a 24 dias) ou se o sangramento caiu bem no comecinho e outro bem no final do mesmo mês, é normal sangrar duas vezes no mesmo período. Pelo mesmo motivo, se o seu ciclo for mais longo (de 34 a 35 dias), é possível que você passe um mês inteiro sem menstruar.

A menstruação sempre vem a cada 28 dias, sem exceções.

Não, isso é uma crença. O ciclo tem uma duração média de 28 dias e é considerado saudável quando tem um intervalo entre 21 e 35 dias (para adultas). É normal que o ciclo varie de mulher para mulher e até mesmo de mês para mês.

O ciclo pode durar de 21 a 35 dias com fluxo de 3 a 7 dias.

Sim, é verdade. Um ciclo pode durar em média 28 dias, mas variações entre 21 e 35 dias são consideradas perfeitamente normais. E o sangramento em si costuma durar de 3 a 7 dias.

Os fluxos muito intensos e longos podem indicar distúrbios menstruais.

Sim, é verdade. Fluxos muito intensos e longos são sinais de alerta e costumam indicar distúrbios menstruais ou doenças subjacentes. Esse quadro não deve ser normalizado, pois frequentemente causa complicações como anemia e fadiga. Quando impacta na sua rotina, os fluxos devem ser avaliados.

A cor do sangue menstrual sempre será vermelho escuro.

Não é verdade. O sangue menstrual varia de cor ao longo do ciclo e isso é super normal. A tonalidade depende do volume do fluxo e do tempo que o sangue permanece no útero ou na vagina antes de ser expelido. Vermelho vivo (comum nos primeiros dias do ciclo, indicando um fluxo ativo e recente), Vermelho escuro (comum no meio do ciclo, quando o sangramento é mais intenso), Marrom ou preto (conhecido como sangue "oxidado", pode ocorrer no início ou no final da menstruação), e por fim Rosa (com um fluxo muito leve, misturado com secreções).

A menstruação é suja e deve ser escondida.

Não é verdade. Isso é um estigma que sustenta o tabu menstrual, atravessado por gerações. A menstruação é um processo muldimensional, fisiologicamente normal, atrelado à reprodução. Explicá-la como algo sujo, vergonhoso, que deva ser escondida ou tratada em segredo, só perpetua o tabu e impacta a dignidade menstrual.

O sangue menstrual é diferente do sangue comum do corpo.

Sim, é verdade. O sangue menstrual não é algo sujo, ou uma toxina, ao contrário. O endométrio se desprende quando não ocorre uma gravidez, liberando esse fluxo, que é composto por sangue, tecido endometrial, água, proteínas e bactérias saudáveis. Portanto, é o sangue da vida, o mais limpo e saudável que temos.

O sangue menstrual contém mais de 1000 proteínas.

Sim, é verdade. A pesquisa clínica Proteomic Analysis of Menstrual Blood mapeou 1.061 proteínas no fluido menstrual. Do total encontrado, 385 proteínas são exclusivas do sangue menstrual, e tem função regenerativa, aquelas proteínas ligadas a processos de cicatrização e regeneração celular.

Todo tipo de cólica é normal.

Não é verdade. A descamação do endométrio pode causar um desconforto, que é normal. Entretanto, cólicas intensas, incapacitantes (que impedem a rotina, o trabalho ou os estudos) ou dores frequentes fora do ciclo menstrual são sinais de alerta e exigem investigação médica, pois podem indicar endometriose, miomas uterinos ou doença inflamatória pélvica.

Os sintomas da TPM são iguais para todas as pessoas.

Não é verdade, é uma crença. A experiência da Tensão Pré-Menstrual (TPM) varia de pessoa para pessoa. São mais de 200 sintomas catalogados, que podem ser físicos e emocionais. Nenhuma pessoa que menstrua reage da mesma forma, nem apresenta o mesmo tipo ou intensidade de desconforto, além disso os sintomas não são fixos e podem mudar de intensidade com a idade, níveis de estresse e hábitos de vida.

É possível engravidar durante a menstruação.

Sim, é verdade. Embora a chance seja baixa, é possível engravidar durante a menstruação. Se a pessoa tiver um ciclo curto e ovular logo após o sangramento, a fecundação pode ocorrer, já que o espermatozoide pode permanecer ativo até 5 dias, após a relação sexual. Algumas pessoas podem até mesmo confundir sangramentos da ovulação ou de implantação com a menstruação em si.

A falta de menstruação pode indicar gravidez ou outros fatores de saúde.

Sim, é verdade. Embora a gravidez possa ser a principal causa de ausência ou atraso menstrual, o ciclo feminino é muito sensível a diversas alterações físicas e emocionais. Se a gestação for descartada, a falta de menstruação (conhecida como amenorreia) ou o atraso podem indicar: estresse e ansiedade, alterações de peso (ou magreza excessiva/distúrbios alimentares como anorexia) inibem a ovulação, exercício físico extremo.

As pessoas com útero não podem engravidar durante a menstruação.

Não é verdade. Todas as pessoas que têm útero podem engravidar durante a menstruação, a não ser que não desejem por motivos diversos. Se a pessoa tiver um ciclo curto e ovular logo após o sangramento, a fecundação pode ocorrer, já que o espermatozoide pode permanecer ativo até 5 dias, após a relação sexual.

A TPM pode causar alterações de humor.

Sim, é verdade. As alterações de humor são sintomas recorrentes durante o ciclo menstrual. Embora as alterações de humor sejam comuns, quando a tristeza, a ansiedade ou a irritabilidade atingem um nível incapacitante que prejudica o trabalho e os relacionamentos, pode se tratar do Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM), exigindo avaliação e acompanhamento médico.

O cansaço durante o ciclo menstrual é apenas preguiça.

Não é verdade. É uma crença que além de sustentar o tabu menstrual violenta as pessoas que menstruam, pois, durante o ciclo, passamos por um quadro de fadiga menstrual, provocado por alterações hormonais intensas, perda de sangue e variações nos níveis de ferro, além das dores e desconfortos abdominais que impactam na rotina. As quedas nos níveis de estrogênio e progesterona que desencadeiam a menstruação afetam diretamente neurotransmissores como a serotonina, causando uma exaustão profunda.

Os absorventes internos tiram a virgindade.

Não é verdade, MESMO. Isso é uma crença que sustenta o tabu menstrual. As pessoas costumam associar o uso do absorvente interno com o hímen e a perda da virgindade. O hímen é uma membrana elástica localizada na entrada da vagina que possui uma abertura natural por onde o sangue menstrual é escoado. Também é preciso dizer que há vários tipos de hímen, e muitos se rompem, inclusive, sozinhos, sem a necessidade de ter algo introduzido ou penetrado nele. Andar de bicicleta pode romper o hímen, por exemplo. Pessoas que nunca tiveram relações sexuais podem utilizar absorventes internos normalmente.

Os absorventes precisam ser trocados regularmente para evitar problemas.

Sim, é verdade. A troca regular do absorvente é essencial para a saúde íntima. O uso prolongado favorece a umidade e a proliferação de bactérias e fungos, o que pode causar odores desagradáveis, alergias, assaduras e infecções como a candidíase.

Os produtos menstruais deveriam ser tratados como itens básicos de saúde.

Sim, é verdade. Devemos tratar as tecnologias menstruais como necessidades básicas de saúde, uma vez que a menstruação é um processo biológico inevitável e a falta de acesso a itens adequados gera muitos riscos à saúde. Por muito tempo no Brasil, esses insumos foram tratados pelo sistema tributário como itens de consumo geral ou equiparados a artigos de higiene pessoal e cosméticos (que possuem altas cargas tributárias). Historicamente, mais de 30% do valor de um absorvente no país era composto por impostos. A legislação que regulamenta o novo sistema de impostos sobre o consumo reduziu a zero as alíquotas de IBS e CBS para produtos de cuidados básicos à saúde menstrual, desde que atendam aos critérios.

O mau uso do absorvente interno pode causar choque tóxico.

Sim, é verdade. O uso inadequado do absorvente interno pode causar a Síndrome do Choque Tóxico (SCT), uma complicação rara, mas grave e potencialmente fatal. A SCT ocorre quando bactérias presentes naturalmente no corpo, como a Staphylococcus aureus, se proliferam excessivamente e liberam toxinas na corrente sanguínea. Isso é favorecido quando o absorvente permanece no canal vaginal por muito tempo, por isso deve ser trocado a cada 4 a 6 horas, e nunca deve permanecer por mais de 8 horas.

A pessoa pode ter relações sexuais usando o disco menstrual.

Sim, é verdade. O disco é uma opção para quem deseja ter relações sexuais com penetração durante o ciclo menstrual; diferente do coletor menstrual, o disco é posicionado bem no fundo, atrás do osso púbico e em volta do colo do útero, deixando assim o canal vaginal totalmente livre. O disco coleta o fluxo menstrual e não interfere na lubrificação natural, permitindo relações sexuais sem vazamentos. Pode ser mantido no corpo por até 12 horas. Como ele apenas coleta o sangue, não apresenta risco de Síndrome do Choque Tóxico, como o absorvente interno.

Os absorventes descartáveis externos tem 99% de plástico em sua composição.

Sim, é verdade. Estudos indicam que os absorventes descartáveis são compostos por até 90% de plástico, principalmente de polietileno, polipropileno e poliéster, usados nas camadas externas (o plástico impermeável), na cobertura (como o "filme seco") e na estrutura. O material restante é geralmente celulose, e eles levam cerca de 400 a 500 anos para se decompor. Também tem plásticos nos adesivos, nas fragrâncias e nos papeis siliconados, usados para colar o absorvente na roupa íntima.

O coletor menstrual pode ser usado por até 12 horas.

Sim, é verdade. A maioria dos fabricantes recomenda o uso do coletor menstrual por um período contínuo de até 12 horas. Mas é preciso estar atentas/os à intensidade do seu fluxo, que varia, como já sabemos. Se o seu fluxo for muito forte, o copo pode encher antes, exigindo trocas a cada 4 a 8 horas, para evitar vazamentos. Não ultrapasse o limite de 12 horas seguidas sem esvaziar e higienizar para prevenir riscos à saúde íntima. O tempo de vida útil do mesmo coletor costuma ser de até 3 anos.

Os absorventes precisam ser trocados regularmente para evitar problemas.

Sim, é verdade. A troca regular do absorvente é essencial para a saúde íntima. O uso prolongado favorece a umidade e a proliferação de bactérias e fungos, o que pode causar odores desagradáveis, alergias, assaduras e infecções como a candidíase.

Os absorventes externos reutilizáveis podem durar de 4 a 6 anos.

Sim, é verdade. A maioria dos absorventes externos reutilizáveis (de pano) podem durar de 4 a 6 anos; isso dependerá dos cuidados na higienização. O tempo de uso varia conforme a frequência, a intensidade do seu fluxo e a manutenção adequada do insumo. Secá-los ao sol, para que os raios solares ajudem a evitar a proliferação de fungos, é necessário. Assim como os coletores e discos menstruais, representam uma grande economia e redução de resíduos no meio ambiente.

  Depoimentos  

Reivindicar a dignidade menstrual é muito mais complexo do que se supõe, já que não se trata apenas de uma violência baseada em gênero, mas de uma violação de uma série de direitos humanos.

Maria Carmen
Coordenadora, MEInstuAção

Interseccionalidade é um importante dispositivo heurístico capaz de analisar a complexa interligação dos sistemas de opressão que sustentam a injustiça menstrual.

Thayane Campos
Co-coordenadora, MEInstuAção

   Educação Menstrual Emancipatória   

Confira as etapas para implementação da Educação Menstrual Emancipatória pelo viés do MEInstruAção. Entre em contato para mais informações.

Etapa 1

Aqui será descrito mais detalhes da etapa se este modelo contemplar.

Etapa 2

Aqui será descrito mais detalhes da etapa se este modelo contemplar.

Etapa 3

Aqui será descrito mais detalhes da etapa se este modelo contemplar.

Etapa 4

Aqui será descrito mais detalhes da etapa se este modelo contemplar.

  Menstruoteca  

Acesse nosso acervo digital e confira as publicações de livros, artigos, materiais educativos e dicas de leitura sobre educação menstrual decolonial e letramento em saúde mestrual.

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  Apoio Institucional  

  Galeria  

  Observatório MEInstruAção   

Coordenação:
Maria Carmen Aires Gomes (CEAM/UnB/CNPq/FAPDF).
E-mail: maria.carmen@unb.br.

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