Projetos

Projeto integrado de pesquisa que investiga, no campo dos estudos críticos do discurso, o caso de Rafael Braga Vieira, considerado emblemático por evidenciar a construção de opinião pública que se baseia em julgamentos morais entre “cidadãos de bem” e “não-cidadãos”. A investigação focaliza facetas semióticas do caso, tendo como foco específico a pesquisa de textos realizando diferentes gêneros do discurso: os autos do processo judicial movido contra Rafael Braga Vieira; os textos publicados sobre o caso no jornal O Globo; textos de midiativismo que pautaram o caso e transcrições de entrevistas.

 

Em 2013, grandes manifestações públicas ocorreram no Brasil. As reivindicações pautaram especialmente a mobilidade urbana, mas o aprofundamento da agenda consolidou um tema que ganharia força: a organização de megaeventos esportivos no país e seus custos financeiros e sociais. Ao mesmo passo, entretanto, que mobilizações tomaram o espaço público, a repressão estatal se incrementou. Protestos foram violentamente reprimidos, e leis e decretos foram formulados para oferecer base jurídica à detenção arbitrária e à identificação compulsória de manifestantes. Numa das maiores manifestações dessas Jornadas, em 20 de junho de 2013, foi detido Rafael Braga Vieira, jovem negro em situação de rua. Portando dois frascos de produtos de limpeza, Rafael foi julgado e condenado a uma pena de cinco anos em regime fechado. A detenção arbitrária, a fragilidade das provas, a pressuposição de conduta criminal, a desproporcionalidade da pena e a condução do processo de acusação manifestam como os direitos de algumas pessoas são violados para supostamente garantir a segurança de outras. Nesse contexto, o objeto do estudo proposto configura-se numa miríade de textos relativos ao caso, realizando diferentes gêneros discursivos e oriundos de quatro contextos de investigação: o processo judicial, as notícias veiculadas no principal jornal da cidade, em versão on-line, textos de midiativismo e entrevistas etnográficas. A abordagem multidimensional pretende oferecer compreensão ampla do caso estudado.

Participam do projeto as pesquisadoras Viviane Resende e Sinara Bertholdo, da Universidade de Brasília, e Rose Barboza, da Universidade de Coimbra. Projeto apoiado pela FAP-DF.